Travou na composição? Roube como um artista!
- Mike Reis
- 9 de jun.
- 3 min de leitura

Uma das maiores dificuldades de quem está começando a compor é acreditar que precisa inventar tudo do zero.
Muitos compositores iniciantes passam horas tentando encontrar acordes inéditos, melodias completamente originais ou estruturas que ninguém nunca utilizou antes. O resultado costuma ser frustração, bloqueio criativo e, muitas vezes, músicas que nunca são terminadas.
Mas existe uma boa notícia.
Grande parte das músicas que conhecemos compartilha elementos muito parecidos.
A mesma base pode gerar dezenas de músicas
Se você já acompanha conteúdos sobre música na internet, provavelmente já viu exemplos de várias músicas utilizando exatamente a mesma sequência de acordes.
Isso acontece porque os acordes são apenas uma das ferramentas da composição.
O que realmente diferencia uma música da outra é a combinação de diversos fatores:
Melodia
Letra
Ritmo
Interpretação
Arranjo
Intenção emocional
Por esse motivo, não há problema em utilizar uma sequência de acordes conhecida como ponto de partida para criar algo novo.
Na verdade, esse pode ser um excelente exercício para quem está aprendendo.
"Roube como um artista" (mas do jeito certo)
No livro Roube como um Artista, o escritor e artista Austin Kleon defende uma ideia que pode parecer estranha à primeira vista: ninguém cria no vazio.
Toda criação é influenciada por referências anteriores.
Os músicos que admiramos ouviram outros músicos. Os compositores que marcaram gerações estudaram canções que vieram antes deles. E praticamente toda obra artística é resultado de uma mistura única de influências.
Isso não significa copiar.
Significa observar, aprender, absorver referências e transformá-las em algo novo.
Na composição musical, isso acontece o tempo todo.
Quando você utiliza uma sequência de acordes já conhecida para criar uma nova melodia, está fazendo exatamente isso: usando uma referência como ponto de partida para desenvolver sua própria voz artística.
Muitas vezes, a pressão para ser totalmente original acaba bloqueando a criatividade.
Em vez disso, experimente fazer o que grandes artistas sempre fizeram: estude músicas que você admira, entenda como elas funcionam e use esse conhecimento para criar algo que tenha a sua identidade.
A originalidade normalmente não nasce da ausência de referências.
Ela nasce da combinação única das referências que cada pessoa carrega.
Como fazer na prática
Escolha uma música que você goste e aprenda sua sequência de acordes.
Depois:
Mantenha os acordes.
Crie uma melodia completamente diferente.
Escreva uma letra sobre outro tema.
Experimente mudar o ritmo.
Você ficará surpreso ao perceber como uma mesma base pode dar origem a músicas completamente diferentes.
A criatividade não está nos acordes
Existe uma ideia muito comum entre iniciantes de que a criatividade está em descobrir acordes raros ou progressões extremamente complexas.
Mas a realidade é que muitos dos maiores sucessos da música popular utilizam estruturas simples.
A criatividade normalmente aparece em perguntas como:
O que eu quero dizer?
Qual história quero contar?
Qual emoção quero transmitir?
Como posso fazer essa letra ser mais verdadeira?
É nesse espaço que surgem as músicas que realmente conectam com as pessoas.
Componha mais, julgue menos
Outro erro comum é tentar avaliar a qualidade da música enquanto ela ainda está sendo criada.
Durante a composição, o ideal é produzir.
Depois você revisa.
Depois você melhora.
Depois você reescreve.
A maioria dos compositores experientes não cria músicas incríveis porque têm inspiração o tempo todo.
Eles criam músicas incríveis porque produzem muito material e aprendem a lapidar suas ideias.
Conclusão
Se você sabe poucos acordes, não veja isso como um problema.
Comece com as ferramentas que já possui.
Use bases conhecidas.
Experimente novas melodias.
Teste diferentes letras.
E lembre-se: uma boa composição nasce muito mais da sua capacidade de transmitir emoções e contar histórias do que da quantidade de acordes que você conhece.
A melhor forma de aprender a compor continua sendo a mesma de sempre:
Compondo.
.png)


Comentários